ANTHP - Associação Nacional de Treinadores de Hóquei em Patins
20º Aniversário
1994-2014

Entrevista - João Simões Treinador do HC Turquel

1) Como está a decorrer o Projecto de Desenvolvimento e Formação no Hóquei Clube de Turquel?

O balanço é consideravelmente positivo. Na minha opinião desenvolver implica crescer do ponto de vista quantitativo e qualitativo. Todos sabemos que formar mais e melhor nem sempre é fácil pois a determinada altura estes objectivos concorrem entre si e é fundamental que nunca se perca a cultura e a missão de cada clube.

Em termos quantitativos julgo que como clube de uma aldeia que somos, temos conseguido fazer bem o nosso papel. Temos cada vez mais atletas (cerca de 150) e escalões/ equipas a competir (13). Tudo isto obriga, tal como todos sabemos, a uma dedicação diária de muita gente, desde atletas, treinadores, seccionistas, directores e a colaboração de muitos voluntários que, felizmente no nosso caso, cada vez mais são os pais.

No que diz respeito à vertente do desenvolvimento qualitativo considero que também temos melhorado consideravelmente, temos conseguido ter equipas competitivas a partir dos Infantis (todos os nossos escalões participam nas provas Nacionais) mas não é fácil conseguirmos competir com os clubes de outras associações uma vez que sofremos cada vez mais da ausência de competição formal nos escalões de Iniciação (Bambis, Benjamins e Escolares) onde infelizmente a nossa Federação continua, ano após ano, a adiar o inevitável que é a redução do n.º de Associações e que no nosso caso, na minha opinião, faria todo o sentido que as Associações do Ribatejo, Leiria e Coimbra se juntassem fazendo uma Associação mais forte com competições melhor organizadas e mais competitivas que iriam contribuir para um maior desenvolvimento hoquístico dos nossos jogadores. Lembro-me que, quando era criança e jogava, já ouvia as pessoas mais velhas a perguntarem porque essa redução no número de Associações não acontecia…

 
2) As actuais Novas Regras do Hóquei em Patins têm beneficiado a modalidade e o espectáculo? Quais as principais adaptações do Treinador?

Julgo que a ideia de base das novas regras é muito positiva pois na minha opinião era inevitável uma alteração pois com as regras antigas os árbitros passavam muito do seu tempo a ajuizar o que era agressividade ou agressão. Concordo com grande parte das novas regras existindo sempre questões de pormenor que certamente estarão a ser analisadas por quem de direito.

No que diz respeito ao espectáculo considero dois pormenores fundamentais que estão a tirar dinâmica ao jogo. Não faz sentido não existir a lei da vantagem pois a nossa modalidade vive da velocidade de execução e não é aceitável um jogador sofrer um toque, continuar em posse de bola em situação de golo eminente e o jogo ser interrompido, essa falta deve ser indicada posteriormente. Outro aspecto também relacionado com o espectáculo é o facto de ser assinalada falta ao mínimo toque do defesa no setique do portador da bola em situação de desarme. Este facto torna as defesas cada vez mais passivas e julgo que um defesa deve ter condições de desarmar um adversário com bola, desde que o faça com o setique ao nível da pista e sem contacto com o corpo do atleta adversário. No que diz respeito ao espectáculo, na minha opinião, nem tudo está a resultar como previsto pois muitos têm sido os jogos em todas as divisões marcados por situações polémicas de arbitragem uma vez que a tarefa do árbitros está mais complexa e os seus erros acabam por ter uma influência muito directa em alguns resultados. Sem querer apontar os erros aos árbitros, julgo que com as regras anteriores a menor competência de um juiz passava mais despercebida… Para terminar julgo que já começa a ser inaceitável (estamos a terminar a época) o facto de existirem enormes diferenças na actuação das equipas de arbitragem. Atrevo-me a dizer que o mesmo jogo repetido 3 vezes com 3 equipas de arbitragem diferentes corre o risco de ter 15 faltas de diferença entre cada arbitragem.

Julgo que o período de adaptação e uniformização foi muito longo e na minha opinião ainda não está ultrapassado. No que diz respeito às adaptações dos treinadores julgo que os bloqueios vieram dar uma maior leque de opções no que diz respeito às combinações e as situações de Power Play obrigam também um trabalho que antes não existia. Na minha opinião, as novas regras favorecem as equipas com maior organização de jogo e isso é muito positivo.


 3) Qual será o perfil de Treinador e que poderá modelar o jogador/equipa ideal?

Julgo que não existe um perfil ideal de treinador ou de jogador/ equipa, essas “receitas” são mais fáceis nos jogos de computador onde se dão números às características dos jogadores/treinadores e tudo funciona como a matemática, que é uma ciência exacta. O nosso mundo do treino é de tal forma complexo que não existem receitas que possamos aplicar para construir uma equipa ideal.

Contudo, considero algumas competências fundamentais: ter objectivos ambiciosos mas realistas, motivar e exigir um compromisso emocional que promova o empenho em todos que o rodeiam, conseguir promover melhoria de competências individuais e colectivas e ter uma liderança com a capacidade de se adaptar as diferentes situações. Julgo que um treinador deve sentir um grande orgulho de pertença à sua equipa e, se tal não acontecer, tudo o resto fica comprometido.   

 4) Qual sua opinião relativamente à ANTHP?

A minha opinião é favorável, por isso sou sócio!

 

Julgo que têm feito um esforço grande em tentar unir o universo dos treinadores nacionais mas reconheço que não tem sido fácil pois o trabalho que estes têm nos clubes é muito desgastante e por vezes até pouco reconhecido e recompensado e em muitas acções organizadas pela ANTHP a adesão dos treinadores não tem sido muito grande. Julgo que era importante, junto da Federação, encontrar datas sem competições devidamente incluídas no planeamento anual para que todos se pudessem juntar e, de forma construtiva, todos darem o contributo possível para o desenvolvimento da nossa modalidade.

Sei que continuam empenhados, prova disso é a nova página na Net que abre muitas potencialidades e aproveito para dar uma palavra de apreço a toda a direcção da ANTHP e desejar que continuem cada vez mais empenhados na promoção do aumento da ciêntificidade da nossa modalidade, na promoção do diálogo entre os treinadores e na organização de acções de formação.